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Para entender o terroir: Alentejo

6 out

Um tema que causa frequentes dúvidas nas pessoas, inclusive profissionais do vinho, é a verdadeira definição de terroir.

Alguns, resumidamente, defendem que se limita ao clima e o solo de uma determinada região.

Essa é uma versão um pouco limitada da real complexidade do terroir. A palavra é contrária à padronização e uniformização dos vinhos, e preza por tudo que é original e natural. O que o terroir expressa é, na verdade, as características de solo, clima e relevo de uma região. E um fato que muitas vezes é esquecido, mas é crucial na definição do terroir, é a intervenção humana, o “savoir-faire” (saber fazer).

Uma região muito interessante para falar, quando pensamos em tipicidade e clima, é o Alentejo, região sul de Portugal.

O Alentejo é uma região de Portugal muito seca, onde é difícil o cultivo da agricultura, sobressaindo-se a cultura videiras e sobreiros* (de onde vêm as rolhas de cortiça). Está entre as duas melhores regiões vinícolas de Portugal, junto com Douro. É uma região de planícies, e com muita diversidade tecnológica. No Alentejo, existem vinícolas que ainda elaboram vinhos com métodos tradicionais, como, por exemplo, o esmagamento da uva com os pés, e outras que são muito avançadas tecnologicamente.

OS VINHOS DO ALENTEJO

Em função do calor, os vinhos elaborados nessa região são muito alcoólicos, com forte presença aromática de frutas, muita estrutura e complexidade.

Quase 100% das uvas cultivadas na região são autóctones – oriundas de Portugal, e não de outras partes do mundo.

E é natural que estas particularidades da região resultem em vinhos igualmente interessantes.

HARMONIZAÇÃO

Nem sempre conseguimos fazer isso, mas é interessante harmonizar um prato de um país/região com um vinho da mesma origem.

Por isso, já que o tema é o Alentejo, uma ótima combinação para testar o paladar é o Arroz à Braga com um vinho alentejano, como o Paulo Laureano Premium Tinto 2008.

Essa harmonização segue as regras de peso e estrutura do prato e do vinho. E, claro, você pode testar esse prato com outros tipos de vinhos e descobrir que existem possibilidades infinitas quando se fala de harmonizar.

Sobre o Alentejo, dizia José Saramago

“Quando o viajante acordou e abriu a janela do quarto, o mundo estava criado. Era cedo, ainda vinha longe o sol. Nenhum lugar pode ser mais serenamente belo, nenhum o será com meios mais comuns, terra larga, árvores, silêncio.”

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*O Alentejo é o maior produtor mundial de cortiça, matéria-prima das rolhas. O sobreiro, a árvore que produz a cortiça, pode ser considerado uma metáfora do “tempo” e da “tradição” alentejanos: a cortiça envolve seu tronco por nove anos, lentamente, até formar uma grossa camada e poder ser extraída. Assim podemos dizer que é a vida alentejana: tudo se faz sem pressa. E isso se expressa na arte de produzir bons vinhos.

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